Um soldado do Exército brasileiro que mora em São Vicente foi diagnosticado com febre chikungunya, uma doença ainda rara no Brasil que tem sintomas parecidos com os da dengue, dores mais intensas e é transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti, o mesmo da dengue, e Aedes albopictus.

O soldado vicentino, que está no Brasil desde o dia 5 e não teve sua identidade revelada pelo Ministério da Defesa, foi para o Hospital Militar de Área de São Paulo assim que chegou do Haiti, país caribenho onde trabalhou nas missões de paz do Exército.

Ele apresenta “quadro leve, estável e evolução clínica favorável”, segundo a Secretaria de Estado da Saúde.
Não há uma previsão de quando ele receberá alta, pois todos os integrantes do Exército que desembarcam do exterior costumam passar por baterias de exames, mesmo que não tenham problemas de saúde.
A Prefeitura de São Vicente já foi notificada. Um outro soldado de Itanhaém tinha suspeita da doença, mas ela foi descartada.

Preocupação
A febre chikungunya causa tanta preocupação por ainda não ter tido transmissão entre brasileiros e ser levada de um lado para o outro pelo mosquito Aedes aegypti, presente em diversas regiões do País, incluindo a Baixada Santista.
“Se uma pessoa com o vírus em estágio pleno no corpo vier do exterior para cá e for picada pelo mosquito da dengue, ‘já era’. O Aedes
 levará o vírus chikungunya para outras pessoas. O risco é grande”, diz o infectologista e professor do Centro Universitário Lusíada (Unilus), Marcos Caseiro.
O também infectologista e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Ivo Castelo Branco, explica que os sintomas da febre são parecidos com os da dengue. Porém, é preciso ter cuidado, pois ela castiga mais o paciente.
“O vírus circula por poucos dias no corpo, mas causa dores que podem durar até seis meses. Muita gente nos outros países confunde essa febre com reumatismo. As articulações doem bastante. O que recomendo ao paciente é procurar atendimento caso chegue do exterior com febre alta e dores”.
O Ministério da Saúde garante estar preparado. “Elaboramos um plano nacional de contingência, intensificando a vigilância, a preparação da rede de saúde, o treinamento de profissionais e a preparação de laboratórios de referência para os diagnósticos”.
Fonte: Atribuna